O Incêndio que destruiu parte do acervo de cobras do Butantã

No último dia 15 de maio, o Brasil teve uma grande perda histórica e científica. Um incêndio destruiu o maior acervo científico de cobras do mundo, no Instituto Butantã em são Paulo. A coleção, iniciada há 120 anos, tinha cerca de 90 mil cobras, representando centenas de espécies. O acervo de aracnídeos, com 450 mil aranhas e escorpiões, também foi destruído. Alunos e professores, em lágrimas, culparam o poder público pelo descaso com o patrimônio científico do País. O prédio não tinha sistema anti-incêndio.

“É uma calamidade total. Não tenho nem como descrever”, lamentou o pesquisador Otavio Marques, especialista em cobras. “Minha carreira inteira foi feita em cima dessa coleção.” Muitos dos animais, segundo ele, eram de espécies ainda não descritas pela ciência. Outras, já extintas, ou muito raras. Alguns exemplares mais antigos datavam de 1901.

Entre os milhares de espécimes incinerados estavam centenas de “holótipos”, ou “tipos”, que representavam o primeiro exemplar descrito de uma determinada espécie – o exemplar de referência, equivalente na biologia ao primeiro manuscrito de um livro. “É um patrimônio insubstituível”, disse o zoólogo Francisco Luis Franco, que há dez anos era curador da coleção. “A perda de conhecimento sobre a nossa biodiversidade é incalculável. Não há valor em dinheiro que chegue perto.

O prédio que abrigava as coleções, um galpão de um mil metros quadrados, construído nos anos 1970 e reformado dez anos atrás, foi quase todo destruído pelo fogo. Segundo os bombeiros, a temperatura chegou a 1.200 °C. O fogo se espalhou rapidamente, já que os animais eram preservados em vidros com álcool.

A suspeita inicial é que o incêndio tenha sido causado por um curto-circuito ou sobrecarga elétrica. A chave geral do Butantã foi desligada na noite de sexta para sábado, para trabalhos de manutenção na rede. A energia foi religada por volta das 7 horas e, pouco depois, começou o incêndio. Os bombeiros chegaram rapidamente, mas pouco pôde fazer. Não sobrou um vidro intacto nas prateleiras. O chão ficou coberto de cacos, entulho e cobras carbonizadas.

Descaso. Para o zoólogo Franco, o acidente simboliza a “falta de seriedade” com que o poder público trata o patrimônio científico e cultural do País. “Isso tem de ser visto como um fato emblemático, para que se dê mais atenção à nossa história”, desabafou. “Todas as outras coleções estão vulneráveis do mesmo jeito.”

O prédio não tinha nenhum sistema mais sofisticado de detecção ou combate a incêndios. O fogo foi notado inicialmente por um vigia, que não tinha chaves para o prédio e teve de buscá-las na portaria. Não há hidrante no local e a rua principal que dava acesso ao prédio foram fechados por um canteiro alguns anos atrás, o que dificultou o trabalho dos bombeiros.

O Instituto Butantã divulgou uma nota no início da tarde de ontem dizendo que, “segundo informações preliminares (dos) Bombeiros, não havia no prédio qualquer problema relacionado às instalações que possa ter originado o incêndio. O Butantã irá aguardar, entretanto, as investigações da perícia técnica.

Franco submeteu recentemente à FAPESP um projeto de R$ 700 mil para a instalação de uma infraestrutura anti-incêndio no local. Mas o resultado do edital só deverá ficar pronto em julho. Tarde demais.

É muito triste o fato ocorrido, acho que não vale ressaltar agora se a culpa e do governo que não sela pelo seu patrimônio cientifico ou qualquer outro órgão ou pessoa, o que realmente importa é que vários animais e relatos sobre eles foram perdidos com o incêndio e esses acervos não tem mais como serem recuperados.Foram perdidos mais de 500 mil exemplares de serpentes,aranhas e escorpiões em vidros com álcool para se ter uma idéias. Isso ao meu ver causa um grande “buraco” no meio cientifico já que o Butantã possuía o maior acervo de repteis do mundo.Uma verdadeira catástrofe que como os próprios cientistas o prejuízo é ”incalculável”

Para saber mais: Coleção

As chamadas “coleções” são acervos biológicos de animais coletados na natureza, usados como referência para descrição de espécies e outros tipos de pesquisa. São como bibliotecas de biodiversidade. Os animais são preservados em álcool ou a seco, e cada amostra leva um registro de coleta, que serve como prova da existência daquela espécie num determinado local – informações cruciais para o estudo e conservação da biodiversidade.

Fonte: Herton Escobar – O Estado de S.Paulo

By:Jack Araújo

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