Kambô: A vacina do sapo

A Phillomedusa Bicolor é uma espécie de anfíbio pertencente a família hylidae muito comum na região da Amazônia do Brasil e em alguns outros países como Colômbia, Peru, Venezuela e nas Guianas e ocasionalmente na vegetação ribeirinha do cerrado. Esse bicho além de ter uma beleza imensurável, muito comum com a nossa Phyllomedusa Nordestina apresenta hábitos noturnos e caçam pequenos insetos, além da sua coloração esverdeada maravilhosa.

Phyllomedusa bicolor

No entanto o que realmente chama atenção são as  suas secreções carregadas com peptídeos biologicamente ativos, ela apresentam entre seus compostos dermorphin e deltorfina, que são peptídeos com propriedades alnagésicas 2000 vezes mais potentes do que a morfina, a nível cerebral.

Tomar a vacina do sapo, ou seja, a secreção encontrada na pele da barriga da rã  é uma prática antiga com fins medicinais, muito difundida entre os povos indígenas do Brasil, como os índios katukinas e do Peru. A finalidade mais procurada é “tirar a panema”, ou seja, afastar a má sorte na caça e com as mulheres. Esse lance é tã sério, que os índios que por uma razão ou outra desmaiam, ficam doentes, etc. Não encontraram nenhuma índia para casar, pois elas consideraram ele um homem fraco.

Phyllomedusa bicolor

Porém a vacina do sapo é considerada um remédio para muitos males pelas populações tradicionais do vale do Juruá, curando desde amarelão até dores em geral. Hoje, a vacina do sapo é utilizada também por seringueiros e vem sendo aplicada por alguns curandeiros nas cidades de Cruzeiro do Sul/AC e Rio Branco/AC.

Os procedimentos da aplicação da vacina tem todo um ritual. Primeiramente o curandeiro guarda a secreção da rã numa espátula de madeira, depois aplica pequenas queimaduras na pele com um pedaço de cipó em brasa e por fim aplica as secreção nas quemaduras. Essa vacina pode dar alguns sintomas, com por exemplo: uma forte onda de calor, que sobe pelo corpo até a cabeça.  A dilatação dos vasos sanguíneos parece provocar uma circulação mais veloz do sangue, deixando o rosto vermelho e,  em seguida fica pálido, a pressão baixa, podendo provocar náuseas, vomito e/ou diarréia.  O efeito dura cerca de 15 minutos, mas  a sensação desagradável aos poucos retorna a normalidade e a pessoa se sente mais leve, como se tivesse feito uma boa limpeza, causando uma maior disposição.

O fato triste é que pesquisadores franceses, italianos e americanos estão estudando e patentiando essas substânçias da Phyllomedusa bicolor, graças a péssima fiscalização que há em nossas fronteiras e a falta de interesse do governo brasileiro e facilitação das autoridades peruanas.

Fonte: http://www.amazonlink.org/biopirataria/kampu.htm#

By Kássio de Castro

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